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Formação
literária

A literatura entrou cedo na vida de Pedro Machado Mastrobuono. Antes mesmo de pensar em escrever, ele já circulava entre artistas. Cresceu no ambiente do colecionismo de artes plásticas e passou parte da infância dentro do ateliê do pintor Alfredo Volpi, amigo próximo de seu pai.

Ali conviveu com pintores como Bonadei e Rebolo, com o escultor Bruno Giorgi e com muitos outros nomes da arte brasileira. Não era um ambiente silencioso: havia conversas, leituras, encontros, e até pequenos saraus organizados em apartamentos de artistas. A literatura estava presente como parte natural da vida.

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A convivência não se limitava às artes visuais. Volpi era amigo de escritores, e o jovem Pedro teve contato com figuras do mundo literário, como o poeta Ledo Ivo, membro da Academia Brasileira de Letras e pai do pintor Gonçalo Ivo, com quem mantém amizade até hoje.​

Mas o primeiro gesto consciente de escrita veio ainda no ensino fundamental. No sétimo ano, Pedro venceu um concurso literário do colégio com um soneto clássico chamado O Coroa, no qual imaginava a si mesmo já idoso. O prêmio foi a publicação do poema em um volume patrocinado pela escola e um convite para participar de um programa na TV Cultura.

No ensino médio, uma professora de português percebeu sua inclinação para a escrita e propôs um exercício contínuo: um caderno espiral que passava semanalmente entre aluno e professora. Ela deixava um tema, ele escrevia. Ao final do período escolar, dois cadernos inteiros de duzentas páginas haviam sido preenchidos.​

Outra marca profunda dessa formação veio do estudo dos idiomas. Ainda pré-adolescente, pediu ao avô que lhe ensinasse italiano. Em vez de aulas formais, recebeu um desafio: um dicionário e um exemplar de Orlando Furioso, de Ludovico Ariosto. Quando fosse capaz de ler e compreender o livro, disse o avô, poderiam conversar sobre a língua.

O episódio acabaria conduzindo Mastrobuono a um estudo sistemático da cultura italiana, que o levaria à formação em literatura italiana e história da arte na Itália, com foco no Renascimento.​

A escrita que surge desse percurso carrega também a influência das artes plásticas. Pedro costuma lembrar de uma ideia do escultor modernista Sérgio Camargo, que organizava pequenos blocos de madeira, os chamados “toquinhos”, em estruturas geométricas para dar forma ao que antes parecia caótico.

Para Pedro Mastrobuono, escrever funciona de modo semelhante: um esforço de organizar emoções, experiências e pensamentos dentro de uma forma precisa. É nesse encontro entre disciplina formal e matéria emocional que sua literatura se constrói.

Pedro Mastrobuono posa de perfil. Ele utiliza óculos de grau, camisa polo preta e um quipá
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